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sexta-feira, 2 de março de 2012

SEM REAJUSTES, SERVIDORES AMEAÇAM FAZER GREVES

Natalia Emerich _Brasília247 

O anúncio das 10 medidas de contenção de gastos feito pelo governo do Distrito Federal na quarta-feira (29) não foi visto com bons olhos pelos sindicatos. A tentativa de economizar R$ 153 milhões inclui a suspensão de qualquer reajuste salarial em 2012. A decisão pode custar caro ao Executivo, que provavelmente terá de administrar um longo período de greves e reivindicações. As categorias de militares, professores e servidores públicos de Brasília já marcaram assembleias. Funcionários de outras áreas – saúde, segurança, serviços – também cobram melhorias.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), José Eudes Oliveira da Costa, chama a atenção para a gravidade do problema. “O pacote de restrição orçamentária é um combustível muito grande para que servidores reivindiquem seus direitos, creio que o governo será obrigado a voltar atrás”, teme Costa. “A conseqüência de uma política como essa é culminar em um longo período de greve generalizada.”

Nesta sexta-feira (2), às 9h, militares se reunirão em frente ao Palácio do Buriti para decidir se suspendem ou não as atividades por tempo indeterminado. Desde fevereiro a categoria decretou operação padrão, conhecida como operação tartaruga, na qual bombeiros e policiais diminuem o ritmo de trabalho. Eles querem reajustes salariais e incorporação de benefícios.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, na edição de quinta-feira (1º), o presidente do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos do governo do Distrito Federal (Sindser) repudiou o pacote de medidas e disse que a decisão foi uma faca cravada nas costas dos servidores públicos e de suas representações. A categoria também marcou assembléia geral para o dia 14 de março, às 9h, em frente ao Palácio do Buriti.

No Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), o clima é praticamente de paralisação. A categoria está em contagem regressiva para iniciar o indicativo de greve, cuja votação está marcada para 8 de março. A data foi definida em 17 de novembro, quando os servidores rejeitaram uma proposta de estruturação de carreira apresentada pelo governo e optaram por continuar as negociações.
“Já passaram 105 dias do início da contagem regressiva e ainda não tivemos uma reunião com membros do poder público para buscar alternativas”, afirma a diretora de imprensa do Sinpro, Rosilene Corrêa. De acordo com ela, nova reunião entre representantes dos professores e o secretário de Administração Pública, Wilmar Lacerda, está agendada para sexta-feira (2).

Rosilene explica que a pauta de reivindicações dos professores é extensa, mas duas são prioritárias: reestruturação do plano de carreira e a implementação do plano de saúde, ambos prometidos para janeiro. “Essas são as emergenciais, mas também precisamos atualizar o quadro de profissionais”, lembra. “Só no ano passado 900 servidores se aposentaram e nenhuma vaga foi preenchida.”

Corte de gastos
Na manhã de quinta-feira (1º) o porta-voz do governador Agnelo Queiroz, Ugo Braga, disse em entrevista à BandNews que existe um problema prático de responsabilidade fiscal e que o governador trabalha com a lógica de que é preciso resolvê-lo.

“Não tinha outra forma que não lançar medidas duras e sacrificantes”, declarou Braga. De fato, nem o governador escapou. Agnelo e funcionários do alto calão tiveram cortes salariais de 10%.

Mesmo dando o exemplo, a iniciativa do governador de se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é reprovada pela categoria. Para a diretora de imprensa do Sinpro, ainda que haja restrições as demandas dos professores podem ser atendidas. Ela argumenta que o Estado tem outras fontes e formas de atender pleitos sem comprometer a LRF.

“Já vivemos cortes como esses anteriormente, talvez seja mais uma tentativa de dizer aos servidores que não haverá negociação. Creio que a assembléia do dia 8 tem tudo para iniciar uma paralisação, o que é lamentável”, finaliza Rosilene

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