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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

APESAR DE A POLÍCIA MILITAR TER GARANTIDO SEGURANÇA AOS FOLIÕES, CRIMINOSOS APROVEITAM A OPERAÇÃO-PADRÃO PARA AGIR. MÉDIA DIÁRIA DE HOMICÍDIOS DOBRA DURANTE CARNAVAL

Natalia Emerich _Brasília247

O feriado de carnaval não foi aproveitado apenas por foliões. Enquanto parte da Polícia Militar decretou estado de greve na quinta-feira (16) e diminuiu o ritmo de trabalho nas ruas do Distrito Federal, bandidos aproveitaram as festividades para cometer crimes. Em quatro dias, pelo menos 16 pessoas foram assassinadas, ou seja, quatro por dia. O dobro da média diária registrada em dias normais. Outras seis foram vítimas de sequestro-relâmpago.

Ás vésperas do carnaval, policiais militares e bombeiros aprovaram o indicativo de greve da categoria. Eles tentaram a todo custo pressionar o governo para aprovar um plano de carreira com melhorias salariais e benefícios. Atualmente, a PM do DF é corporação mais bem paga do País. O salário inicial é de aproximadamente R$ 4,5 mil.

A decisão preocupou a população, mas o governo do DF garantiu que o ato não comprometeria a segurança nas ruas. Em entrevista, o porta-voz da Polícia Militar, cabo Celso Alexandre, afirmou que o efetivo policial “está muito grande e isso está inibindo situações de crime”.

Segundo o porta-voz, “o policiamento não deixou de ser feito e tudo está tranquilo desde o início do carnaval”. Ele disse que nas ruas do Plano Piloto, por exemplo, 660 policiais e 53 viaturas fizeram ronda durante as festas.

A operação especial montada pelo governo para dar segurança aos foliões, porém, parece não ter inibido a ação de criminosos. Só nas últimas 24 horas, entre a noite de segunda-feira (20) e a madrugada desta terça-feira (21), quatro pessoas foram assassinadas no DF. O número é o dobro da média diária de dois homicídios por dia na região. Três dos casos ocorreram em Ceilândia.

Se o ritmo do feriadão continuar nos próximos dias, em seis meses o DF atingirá o índice de assassinatos registrados em 2011, quando 722 pessoas foram vítimas de execução.

A violência que tomou as ruas do DF durante o carnaval não se limita aos 16 assassinatos. A polícia registrou outras 22 tentativas de homicídio; seis casos de sequestro-relâmpago; nove apreensões de armas; dez prisões relativas à roubo de postos de gasolina; 15 ladrões que assaltaram ônibus. Cerca de 40 veículos furtados ou roubados também foram recuperados.

Na manhã desta terça-feira (21), a violência foi tema do programa de rádio Conversa com o Governador. Durante a exibição, Agnelo Queiroz enfatizou que o Executivo está investindo em várias frentes para reduzir a criminalidade nas regiões administrativas do DF.

Entre as medidas adotadas, Agnelo citou o recém-criado sistema de monitoramento inteligente na área central de Brasília, com 37 câmeras fixas e móveis; a compra de 600 novas viaturas para operações normais de policiamento e operações especiais, a aquisição de oito barcos para fiscalização no Lago Paranoá; além de dois helicópteros e de investimento em equipamentos de segurança em seis ônibus da PM.

“Temos que atuar com um policiamento inteligente, tecnologia, profissionais bem treinados e equipamentos”, destacou Agnelo. O investimento feito pelo governador pode não surtir muito efeito se os militares decidirem manter a operação-padrão e diminuir o ritmo da segurança pública.

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