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segunda-feira, 4 de abril de 2011

AGENTES DE CENTROS DE INTERNAÇÃO DE JOVENS FAZEM PARALISAÇÃO

Agentes do Caje, do Centro de Internação da Granja das Oliveiras e do Ciap, em Planaltina, iniciaram uma operação padrão essa manhã. O movimento começou depois de um princípio de rebelião no Caje, nesse domingo (3).

Como consequência da ação dos agentes, a atividade no campo de futebol do Caje foi suspensa. As oficinas, aulas regulares e atendimentos pisicológicos também foram suspensos. No Centro de Internação da Granja das Oliveiras, no Recanto das Emas, boa parte dos servidores passou a manhã do lado de fora, em protesto por melhores condições de trabalho.

“Nenhuma atividade vai ser realizada. Somente manteremos a alimentação e alguma operação de limpeza que tiver que ser feita”, informa o agente Roberto Castro. Os agentes também suspenderam alguns serviços no Ciap, em Planaltina

A situação é considerada mais grave no Caje. Lá, o número de internos continua acima da capacidade. Hoje são 300 jovens numa estrutura antiga e sem equipamentos de segurança. “Os rádios comunicadores das unidades não funcionam da forma adequada. Se for necessário pedir um reforço de uma ala para outra, pode ser que esse reforço não venha da forma mais adequada”, indica Clayton Oliveira, da Associação de Servidores do Sistema Socioeducativo.

O estopim para a paralisação de hoje foi o principio de rebelião ocorrido ontem no Caje. O motim durou quase uma hora. Os internos maiores de idade queimaram colchões. Já os menores estavam armados com pedaço de ferro e com quatro cordas de lençóis amarradas com escovas e cadeados. Eles se negaram a voltar para os quartos.

Na confusão, seis agentes que cuidavam da ala ficaram feridos. 21 menores foram levados para a Delegacia da Criança e do Adolescente para prestar depoimento. “Eles vão responder pelo ato infracional assemelhado à quadrilha. Vão responder também por lesão corporal e por ameaça, pois alguns deles disseram que matariam agentes”, fala o chefe da Delegacia da Criança, Nivaldo Oliveira.

O motivo da revolta foi que os adolescentes estavam desde sexta-feira sem os aparelhos de TV. Uma punição porque os agentes sentiram falta de rádios comunicadores da ala. Ainda na tarde de domingo, as visitas foram retomadas, mas muitos pais ainda estavam preocupados.

“Os filhos da gente estão pagando porque fizeram algo de errado, mas não são obrigados a passar o que estão passando aí dentro”, afirma a dona de casa Zuilene Cavalcanti.

A Secretaria da Criança, que é responsável pelos centros de internação, informou que nesta tarde será formada uma comissão de sindicância para apurar os conflitos de ontem no Caje. No fim da manhã, representantes da secretaria se reuniram com diretores e funcionários do Caje para discutir os problemas apontados na reportagem.

Por Leonardo Ribbeiro

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